Por que a dor crônica não passa? Conheça as causas mais comuns



Por que a dor crônica não passa? Conheça as causas mais comuns

A dor crônica é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos e de fisioterapia. Ela é caracterizada por uma sensação dolorosa persistente, que dura por mais de 3 meses, mesmo após o tratamento da causa inicial. Diferente da dor aguda, que tem uma função de alerta, a dor crônica se torna uma condição em si, impactando o bem-estar físico, emocional e social do paciente.


Neste artigo, você vai entender os principais motivos que levam à dor crônica, seus respectivos códigos da CID-10, e como a fisioterapia pode atuar de forma eficaz para melhorar a qualidade de vida do paciente.


🧠 1. Dor Crônica Musculoesquelética (CID M79.1 – M79.7)


Entre as causas mais frequentes estão as dores musculares e articulares persistentes, decorrentes de sobrecarga mecânica, postura inadequada, sedentarismo ou distúrbios biomecânicos.


Exemplos comuns:


Lombalgia crônica (M54.5)


Cervicalgia crônica (M54.2)


Dor miofascial (M79.1)


Fibromialgia (M79.7)


Essas dores estão associadas à sensibilização central, um fenômeno em que o sistema nervoso passa a interpretar estímulos normais como dolorosos.


Tratamento fisioterapêutico:

Envolve recursos analgésicos, cinesioterapia, técnicas manuais, reeducação postural e estratégias de educação em dor.


🦴 2. Dor Crônica Pós-Traumática (CID G89.2)


Após um trauma, cirurgia ou fratura, alguns pacientes desenvolvem uma dor que persiste mesmo após a cicatrização. Isso ocorre por alterações na condução nervosa periférica ou na modulação da dor pelo sistema nervoso central.


Exemplo: dor residual após fratura, entorse grave ou cirurgia ortopédica.


Abordagem fisioterapêutica:

Trabalhar mobilidade, força, propriocepção e controle da dor através de técnicas de dessensibilização e movimento gradual.


💥 3. Dor Neuropática (CID G89.0 / G56–G58)


A dor neuropática resulta de lesão ou disfunção no sistema nervoso, podendo afetar nervos periféricos ou o sistema nervoso central. É uma dor descrita como queimação, formigamento ou choques elétricos.


Principais causas e CIDs:


Neuralgia do trigêmeo (G50.0)


Neuropatia diabética (E11.4)


Síndrome do túnel do carpo (G56.0)


Ciatalgia crônica (M54.3)


Abordagem terapêutica:

Técnicas neurodinâmicas, exercícios graduais e intervenções integrativas como Reprogramação Sistêmica, que trabalha corpo e mente para reeducar respostas neurológicas à dor.


⚙️ 4. Dor Crônica Inespecífica (CID G89.4)


Quando não é possível identificar uma causa estrutural, metabólica ou neurológica clara, a dor é classificada como inespecífica.

Esse tipo de dor é multifatorial, frequentemente associada ao estresse emocional, transtornos do sono e alterações psicossomáticas.


Exemplos:


Dor generalizada sem lesão aparente


Síndrome de dor crônica idiopática


Abordagem recomendada:

Educação em neurociência da dor, exercícios terapêuticos e técnicas de relaxamento. Métodos integrativos como Psicologia Biodinâmica e Reprogramação Sistêmica podem auxiliar na liberação de tensões emocionais que perpetuam o quadro.


⚡ 5. Dor Crônica Oncológica (CID G89.3)


A dor em pacientes com câncer pode surgir devido à invasão tumoral, efeitos colaterais do tratamento ou danos nervosos. É uma dor de alta complexidade, que requer abordagem interdisciplinar.


Tratamento fisioterapêutico:

Visa manter a mobilidade, reduzir espasticidade, prevenir complicações e oferecer conforto físico e emocional.


❤️ 6. Dor Crônica Psicogênica (CID F45.4)


Neste caso, a dor tem origem predominantemente emocional, sem lesão física que a justifique. É comum em pessoas com altos níveis de estresse, ansiedade ou traumas não resolvidos.


A fisioterapia integrativa atua na consciência corporal, no desbloqueio de tensões somatizadas e na reorganização postural, em conjunto com o apoio psicológico.


🩺 Como a Fisioterapia Contribui no Controle da Dor Crônica


O fisioterapeuta tem papel essencial na avaliação, tratamento e reabilitação de pacientes com dor crônica.

Através de métodos como:


Cinesioterapia e fortalecimento gradual


Terapia manual e liberação miofascial


Exercícios de respiração e relaxamento


Educação em dor (neurociência da dor)


Integração mente-corpo (Reprogramação Sistêmica)


...é possível modular a dor, restaurar a função e melhorar a qualidade de vida.


🔗 Conclusão


A dor crônica é uma condição complexa, multifatorial e com grande impacto na vida do paciente.

Conhecer suas principais causas e respectivos CIDs é fundamental para um diagnóstico assertivo e um plano terapêutico eficaz.


A abordagem fisioterapêutica moderna, quando combinada com práticas integrativas e foco na consciência corporal, representa um caminho promissor para a reprogramação das respostas de dor e a conquista de uma vida com mais movimento e menos sofrimento.


📚 Referências principais


International Association for the Study of Pain (IASP, 2021)


OMS – Classificação Internacional de Doenças (CID-10)


Nijs J. et al., “From acute musculoskeletal pain to chronic pain: the role of neuroplasticity.” Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2020.


Woolf CJ. Central sensitization: Implications for diagnosis and treatment of pain. Pain, 2011.

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